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  • Luciano Melo

DISTORÇÕES COGNITIVAS: VOCÊ ESTÁ TOTALMENTE ENGANADO!

PROJETO TERAPIA EM LETRAS - TEXTO 9



A Terapia Cognitiva é uma abordagem psicoterapêutica criada por Aaron Beck, a partir de 1959.

Um de seus princípios fundamentais é a ideia de que mais que os fatos em si, a maneira como o indivíduo os interpreta influencia de forma decisiva suas emoções, seus sentimentos e comportamentos. Isso equivale a dizer que o pensamento influencia o comportamento, o pensamento pode ser monitorado e alterado e mudanças na forma de pensar causam mudanças no comportamento.

Segundo Aaron Beck, em nosso dia-a-dia, estamos sempre pensando sobre nós mesmos, nossa realidade, que inclui as outras pessoas, e nosso futuro. Quando conseguimos enxergar as coisas como elas realmente são, pode-se dizer que pensamos de forma POSITIVA. Mas, em muitos casos, por diversos motivos, equivocamo-nos na forma como pensamos, realizamos a chamada DISTORÇÃO COGNITIVA, o que equivale a dizer que pensamos de forma NEGATIVA.

Este texto tem como objetivo apresentar a você algumas das DISTORÇÕES COGNITIVAS mais comuns:



Ao realizar uma LEITURA MENTAL, a pessoa imagina que sabe o que as pessoas pensam, mesmo sem ter evidências suficientes dos seus pensamentos.

A ADIVINHAÇÃO DO FUTURO é a distorção cognitiva em que o indivíduo afirma categoricamente que acontecerá “isso ou aquilo”.


Quem realiza uma CATASTROFIZAÇÃO acredita que o que aconteceu ou vai acontecer é tão terrível e insuportável que não conseguirá aguentar. Trata-se do famoso “fazer uma tempestade num copo d’água”.

A ROTULAÇÃO é uma distorção cognitiva em que a pessoa atribui a alguém ou a si mesmo características negativas e reduz a si mesmo ou a outra pessoa a essas características.

Ao DESQUALIFICAR OS ASPECTOS POSITIVOS, um indivíduo considera como banais tudo aquilo que realiza de bom. Com muita frequência essa mesma pessoa costuma realizar o FILTRO NEGATIVO, que consiste na supervalorização dos aspectos negativos de uma pessoa ou experiência, em detrimento do que há de positivo nela.

A SUPERGENERALIZAÇÃO é a forma de pensar em que a pessoa acredita que o resultado de uma experiência se repetirá, inevitavelmente, em experiências futuras.

O PENSAMENTO DICOTÔMICO é a forma de pensar do indivíduo que não se contenta com o “meio-termo”, isto é, não conseguir exatamente o que desejava é o mesmo que não conseguir nada.

Quem atribui a si mesmo uma culpa desproporcional por situações negativas e não consegue ver que algumas situações também são provocadas por outros pratica a chamada PERSONALIZAÇÃO. Por outro lado, quem responsabiliza outras pessoas por seus sentimentos negativos e se recusa a assumir a responsabilidade por isso pratica a distorção cognitiva denominada ATRIBUIÇÃO DE CULPA.

A ORIENTAÇÃO PARA O REMORSO é realizada pelo indivíduo que se concentra na ideia de que poderia ter se saído melhor no passado, em vez de no que pode fazer melhor agora.


Quem realiza o RACIOCÍNIO EMOCIONAL deixa os sentimentos guiarem sua interpretação da realidade e quem tem a INCAPACIDADE DE REFUTAR rejeita qualquer evidência ou argumento que possa contradizer seus pensamentos negativos.

Por fim, quem tem FOCO NO JULGAMENTO avalia a si próprio, os outros e os eventos em termos de preto ou branco, bom ou mau, superior ou interior, em vez de simplesmente descrever, aceitar ou compreender. Além disso, está continuamente se avaliando e avaliando os outros segundo padrões arbitrários e achando que você e os outros deixam a desejar.


Muito provavelmente, você se identificou como quem realiza alguma das distorções cognitivas descritas acima. Deseja ler mais sobre o tema, vá à referência bibliográfica descrita abaixo.

Se julgar necessário, busque ajuda profissional. Texto: Psicólogo Luciano Melo

(Clínica Argos Psi).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: LEAHY, Robert L. Técnicas de terapia cognitiva: manual do terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. P. 45

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