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  • Luciano Melo

OBESIDADE NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

PROJETO TERAPIA EM LETRAS - TEXTO 12


A obesidade na infância e na adolescência tem preocupado um número cada vez maior de pais, profissionais da saúde e educador

De acordo com o site da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes sofrem de problemas causados pela obesidade e oito em cada dez adolescentes continuam obesos na fase adulta.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de Goiás, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que “uma em cada grupo de três crianças, com idade entre 5 e 9 anos, está acima do peso no País. As notificações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional de 2019 revelam que 16,33% das crianças brasileiras entre 5 e 10 anos estão com sobrepeso; 9,38% com obesidade e 5,22% com obesidade grave. Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso; 9,53% são obesos; e 3,98% têm obesidade grave.

Os maus hábitos alimentares, a herança genética, o sedentarismo, a falta de exemplo dos próprios pais e demais familiares, a ingestão excessiva de produtos industrializados, além de transtornos psicológicos, em especial a depressão e a ansiedade, são alguns dos principais fatores que favorecem a ocorrência do sobrepeso em crianças e adolescentes.

A chamada FOME EMOCIONAL merece destaque no que tange às causas da obesidade. Ela se refere a uma prática alimentar em que a comida é vista como uma válvula de escape, uma forma de alívio, principalmente, da ansiedade, isto é, a criança ou adolescente comem não por sentir fome, mas para se livrar de um sofrimento emocional.


EMAGRECIMENTO E TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Um processo eficaz de emagrecimento é aquele que permite a perda definitiva de peso e, por isso, ele requer a ação conjunta de profissionais da endocrinologia, da nutrição, da educação física e da psicologia.

Um dos pilares para o efetivo emagrecimento é a modificação da forma como se pensa sobre a dieta alimentar, que não pode ser vista como uma prática temporária e sim como uma mudança radical e definitiva da forma como a pessoa se alimenta.

Nesse sentido, a Terapia Cognitivo-comportamental é uma abordagem psicológica que pode oferecer uma importante contribuição para o processo de emagrecimento. Ela defende que a forma como habitualmente pensamos interfere decisivamente em como nos sentimos e nos comportamos, o que equivale a dizer que a mudança de nossos comportamos depende da alteração de nossa forma de pensar.


Mas, sua contribuição não pára por aí.

O emagrecimento depende, também, de fatores psicológicos, como a autoestima, a autoconfiança, a disciplina, a capacidade de lidar com as privacies, a resiliência, a motivação, a procrastinação, a fome emocional, já tratada aqui, e a obsessão pelo “corpo perfeito”.

Considerando que a terapia leva o indivíduo ao autoconhecimento e à autoconstrução, ela também contribui para a identificação e modificação de comportamentos negativos e limitantes, a substituição de pensamentos sabotadores por outros adaptativos e a identificação e tratamento de emoções e sentimentos negativos que interferem no emagrecimento.

Por fim, não se pode esquecer de que a infância e a adolescência são períodos especiais do desenvolvimento do indivíduo, que podem ser marcados por inúmeros desafios, como a dificuldade para lidar com a frustração, a impulsividade, a instabilidade emocional, os conflitos familiares, e a escolha profissional. Nesse contexto, a terapia cognitivo-comportamental pode dar suporte à criança, ao adolescente e aos seus pais para a vivência saudável dessas fases da vida.


RECOMENDAÇÕES AOS PAIS


Aqui vão algumas importantes orientações aos pais a respeito da alimentação de seus filhos:

  1. Nós, pais, somos exemplos para nossos filhos. Por isso, o melhor incentivo para que eles se alimentem de forma saudável será nosso exemplo.

  2. Incentivem a prática de exercício físico regularmente.

  3. Criem oportunidade para a realização de brincadeiras que levem ao gasto de energia.

  4. Acompanhem de perto o processo de desenvolvimento de seu filho e estejam atentos a traços de ansiedade, os principais causadores da chamada fome emocional.

  5. Não tenham receio de proibir o uso de celulares e aparelhos eletrônicos durante as refeições.

  6. Busquem apoio profissional se julgar necessário.


Texto: Psicólogo Luciano Melo (Clínica Argos)

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