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  • Luciano Melo

IMPACTO DA PANDEMIA SOBRE ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO

Atualizado: 25 de ago. de 2020

PROJETO TERAPIA EM LETRAS - TEXTO 8 A pandemia da Covid-19 mergulhou o mundo inteiro em uma crise sem precedentes e nos afeta a todos, sem exceção, em todas as dimensões de nossa vida.

Embora o novo Coronavírus não faça acepção de pessoas, os adolescentes representam um grupo especialmente afetado pelo novo estilo de vida que nos vimos obrigados a adotar.

Para que tenhamos clareza dos motivos pelos quais isso acontece, vale a pena recordarmos como tudo começou e salientar algumas características intrínsecas à adolescência.

A quarentena começou por volta do final do mês de março, quando ainda estávamos sob os efeitos do Carnaval. Muitos de nós ainda tinham bastante claros os planos, projetos e expectativas delineados para o ano de 2020. Nossos adolescentes estudantes do Ensino Médio pensavam em como seria, efetivamente, a entrada no Ensino Médio; outros preparavam as comemorações do encerramento da educação básica, que contemplavam viagens e celebrações de conclusão do curso; amadureciam a escolha do curso universitário e da faculdade ou universidade em que estudariam; dedicavam-se “a pleno vapor” para a realização do ENEM e aqueles que estudam na mesma escola há muitos anos, alguns deles desde a sua infância, começavam a imaginar como seria o desligamento da instituição que por tantos anos atuou como parceira de seus pais em sua formação humana e acadêmica.


Além disso, nossos jovens vivenciavam e vivenciam transformações que caracterizam a adolescência, uma fase tão fascinante como desafiadora do processo de desenvolvimento humano: desejo de independência e liberdade, tendência grupal, despertar da chamada atitude social reivindicatória, desenvolvimento do senso crítico, instabilidade emocional, dificuldade de organização espaço-temporal, indisciplina, falta de autonomia e convite à construção de um projeto de vida, além das mudanças corporais e fisiológicas típicas da puberdade.


As consequências inevitáveis do encontro entre as transformações naturalmente vividas na adolescência e os desafios impostos pela quarentena não demoraram a surgir. Tratam-se de comportamentos, emoções e sentimentos diversos, como: aumento dos conflitos familiares, sensação de perda diante da necessidade de construção do projeto de vida, insegurança, carência excessiva, fragilidade emocional, ansiedade, dificuldade para administrar o ofício de estudante, desânimo, procrastinação, solidão e prejuízos para a saúde física e mental.



Diante disso, a inteligência emocional pode ser apontada como um importante recurso para o enfrentamento e superação dos desafios trazidos pela pandemia da Covid-19.

Ela é a capacidade do indivíduo de identificar e compreender as próprias emoções e as emoções dos outros, os estímulos que as desencadeiam, de administrá-las e de escolher comportamentos adequados, tendo em vista as relações interpessoais e a própria saúde física e mental.

Uma pessoa emocionalmente inteligente se adapta a diferentes contextos, ambientes e pessoas, sabe ouvir e dizer não, tem facilidade para perdoar, age gratuitamente, valoriza o que tem em vez de se queixar do que lhe falta, evita comparações, adota visão positiva diante das adversidades, administra conflitos, controla seus impulsos, lida bem com imprevistos e é altamente resiliente.


Se você é adolescente e, em especial, estudante do Ensino Médio, aí vão dicas importantes que poderão facilitar o enfrentamento da quarentena:

Realize momentos de reflexão, que lhe permitirão aumentar o seu autoconhecimento. Durante esses momentos de silêncio interior, escute a si mesmo, pergunte-se o que tem sentido, que inquietações tem experimentado, que perguntas tem elaborado e quais tem sido suas principais dificuldades.

Procure detectar o que o(a) tem gerado em você emoções positivas e negativas, isto é, o que o agrada e o que o agride. Observe, também, que emoções tem sentido diante desses estímulos e como tem se comportado ao reagir a elas.

Diante do contexto atual, evite adotar a postura de vítima. Você pode não ter como mudar a situação que estamos vivendo, mas pode adotar uma postura de protagonista diante dela. Não se deixe abater ou escravizar pelas limitações que o contexto lhe impõe. Ao contrário, seja valente, corajoso e criativo.


Reveja sua forma de pensar sobre tudo o que tem acontecido. Se, por um lado, não podemos negar os fatos, podemos e devemos interpretá-los de forma absolutamente realista e racional, sem atribuir-lhes uma dimensão maior do que têm.

Mantenha-se firme na elaboração de seu projeto de vida, uma vez que, em breve, tudo o que estamos vivendo fará parte do passado. Quando tudo isso passar, você precisará estar pronto para seguir.

Esteja atento às competências socioemocionais que são indispensáveis para o enfrentamento deste momento. Algumas delas são: a empatia, a autoestima, a autoconfiança, a abertura ao diálogo, a responsabilidade, a criatividade, a capacidade de lidar com as frustrações e a resiliência.


Do ponto-de-vista prático, busque apoio em seus familiares, mantenha, ainda que virtualmente, o vínculo afetivo com as pessoas que lhe são importantes, organize sua rotina e planeje-se, alimente-se bem e durma o número de horas de que precisa para se recuperar, cultive sua espiritualidade e busque ajuda profissional se julgar necessário.

Seja eternamente apaixonado(a) por si mesmo(a), obcecado(a) pela vida em plenitude e não abra mão de ser feliz!

Texto: Psicólogo Luciano Melo

(Clínica Argos Psi). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. 2ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

SILVA, Márcio Moreira da ; SILVA, Adriana Maria Simião da. Inteligência emocional e sua aplicação no contexto educacional. Disponível em: http://periodicos.urca.br/ojs/index.php/BDCC/article/view/1569. Acesso em: 11/8/2020.

WOYCIEKOSKI, Carla; HUTZ, Cláudio Simon. Inteligência emocional: teoria, pesquisa, medida, aplicações e controvérsias. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/prc/v22n1/02.pdf. Acesso em: 11/8/2020.

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