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  • Luciano Melo

TERAPIA COGNITIVA

PROJETO TERAPIA EM LETRAS - TEXTO 3


A Terapia Cognitiva é uma abordagem psicoterapêutica criada por Aaron Beck, psicanalista e professor universitário na Filadélfia (EUA), a partir de 1959.

Inicialmente, ele tinha por objetivo o tratamento da depressão e, por isso, essa abordagem tinha como características uma estruturação definida, uma curta duração, o foco no presente, o direcionamento para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais.


Com o passar do tempo, a proposta terapêutica criada por ele e seus colaboradores foi desenvolvida, aprofundada e ampliada e, graças a esse desenvolvimento, as terapias cognitivo-comportamentais são reconhecidas atualmente como uma das mais importantes abordagens terapêuticas e são utilizadas no tratamento dos mais diferentes transtornos.

De acordo com Rangé (2011), a terapia cognitiva criada por Aaron Beck está amparada sobre a ideia central de que, mais que os fatos em si, a maneira como o indivíduo os interpreta influencia de forma decisiva suas emoções e sentimentos e seus comportamentos.


De forma geral, é possível afirmar que todas as TCC’s apoiam-se em três princípios básicos: o pensamento influencia o comportamento, o pensamento pode ser monitorado e alterado e mudanças na forma de pensar causam mudanças no comportamento.

A todo instante, estamos elaborando um significado, uma interpretação, dando um sentido para o que Beck chamou de tríade cognitiva: nós mesmos, nossa realidade, que inclui o outro, e nosso futuro.


Sempre que essa interpretação, esse significado são positivos (corretos), a tendência é que o sujeito desfrute de emoções e sentimentos saudáveis e que seus comportamentos sejam adequados; por outro lado, se a interpretação elaborada pelo indivíduo for negativa (equivocada, distorcida), a consequência serão emoções e sentimentos doentios e comportamentos inadequados e prejudiciais.

A forma como pensamos sobre nós mesmos, nossa realidade e nosso futuro ocorre a partir de nossa estrutura cognitiva, formada, sobretudo, em nossa infância, pelo conjunto de nossas crenças centrais, crenças intermediárias e pensamentos automáticos e está sujeita à influência das chamadas distorções cognitivas.


O funcionamento de nossa estrutura cognitiva é influenciado pelas chamadas distorções cognitivas: uma forma equivocada de interpretar a si mesmo, a realidade, as pessoas e o futuro. Algumas das mais comuns são a generalização, a vitimização, a personalização, o pensamento de tudo ou nada, a elaboração de conclusões precipitadas, a minimização do positivo e a maximização do negativo e a leitura de pensamento.

A partir dos princípios básicos das terapias cognitivo-comportamentais, os transtornos psicológicos podem ser entendidos como resultado de uma elaboração interpretativa equivocada, distorcida de si mesmo, de sua realidade ou de seu futuro.


Assim como em qualquer abordagem terapêutica, na terapia cognitiva, a conceitualização do caso é um fator essencial. Trata-se da compreensão e definição pelo terapeuta, com a colaboração do paciente, do diagnóstico do paciente e da compreensão das razões que levam ao comportamento inadequado. Essa conceitualização inclui a identificação de sua estrutura cognitiva, dos sentimentos e da forma como se comporta o paciente diante das diferentes situações da vida, bem como das estratégias que usa para evitar o contato com suas crenças negativas e o levantamento de dados relevantes da história do paciente.


Com base nessa conceitualização, paciente e terapeuta, em sintonia, definem qual será o foco da terapia.

A cada sessão realiza-se uma avaliação do humor do paciente, de como foi o período de intervalo entre a sessão anterior e a atual e define-se o que será abordado na sessão que está para ocorrer.

Em muitos casos, o terapeuta pode solicitar ao paciente a realização de uma “tarefa de casa”, que estará sempre relacionada ao que foi discutido na sessão.

Texto: Psicólogo Luciano Melo (Clínica Argos Psi).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

RANGÉ, Bernard (et al.). Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais: um diálogo com a Psiquiatria. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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