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  • Luciano Melo

PERFECCIONISMO

PROJETO TERAPIA EM LETRAS - TEXTO 6


O perfeccionismo pode ser definido, de acordo com Oliveira et. al. (2012), como um traço de personalidade marcado pelo estabelecimento de níveis de exigência excessivamente elevados, uma adesão rígida aos mesmos e por auto avaliações demasiadamente críticas.

Ainda segundo os autores, o perfeccionismo consiste em uma das causas de diversos transtornos psicológicos, entre eles a depressão, a insônia, os derivados da ansiedade e os que se referem à alimentação.


Todavia, pensadores como Don Hamachek defendem a ideia de que definir padrões elevados de exigência não é algo, necessariamente, negativo. Assim, deve-se distinguir o PERFECCIONISMO NORMAL E ADAPTATIVO do PERFECCIONISMO NEURÓTICO E MALADAPTATIVO.


Os indivíduos “perfeccionistas normais” definem níveis elevados de exigência, sentem-se com isso mais motivados, mas são capazes de lidar com as suas póprias limitações de desempenho, bem como com as limitações impostas pelo contexto ou situação. Mesmo quando não atingem o nível pré-estabelecido, são capazes de se alegrar e satisfazer com a própria performance.


Já o “perfeccionista neurótico ou maladaptativo” é acompanhado por uma preocupação excessiva com a possível ocorrência de erros, tem dificuldade para se perdoar quando eles acontecem, teme não decepcionar os outros, carrega a crença de que os padrões não estão sendo alcançados e acaba sendo paralisado pelo sentimento recorrente de culpa.

Para indivíduos assim perfeccionistas, a insatisfação é constante e total e não há prazer nem com o seu progresso, nem com o que alcança.


Segundo Oliveira et. al. (2012), o vínculo entre pais e filho(a) é um fator decisivo para a adoção ou não do perfeccionismo como traço de personalidade. Pais que são emocionalmente acessíveis e carinhosos com seus filhos e capazes de administrar os erros inevitáveis deles transmitem aos mesmos a segurança de que precisam para arriscar e agir.


Por outro lado, se a relação entre pais e filho(a) é marcada pelo distanciamento e pela frieza, pela coerção e pelo autoritarismo e a correção dos comportamentos é feita sem possibilidade de diálogo, a tendência é o desenvolvimento de uma pessoa com baixa auto confiança, com medo de correr riscos por acreditar que não pode falhar e, portanto, perfeccionista.


Mas, os pais não são os únicos responsáveis pelo perfeccionismo. Este traço de personalidade pode ser adotado forçosamente por uma pessoa em função do contexto em que está inserida. O ambiente profissional é um bom exemplo disso: campos de trabalho liderados, ou melhor, chefiados por perfeccionistas com pouca ou nenhuma capacidade de liderança, pode imergir os profissionais em relações estressantes, graças a cobranças desumanas e irracionais.


Segundo Leahy (2019), pessoas perfeccionistas maladaptativas se enganam ao acreditar que a perfeição trará consequências duradouras e benefícios eternos e que abrir mão do perfeccionismo causará perda de motivação e adoção de padrões mais baixos.

Leahy (2019) também alerta para o fato de que pessoas não perfeccionistas, embora não adotem padrões elevadíssimos de qualidade, costumam ter mais constância e estabilidade em tudo o que fazem, já que o perfeccionismo costuma minar a persistência e a perseverança.


Se você é perfeccionista, considere que desejar fazer o que faz com elevada qualidade é positivo, motivador e construtivo. No entanto, na prática, talvez possamos dizer que a perfeição seja impossível. Somos seres em processo de desenvolvimento e, por isso, a possibilidade de fazer melhor e se tornar uma pessoa ainda mais especial sempre existirá.


Dedique-se com afinco, mas não deixe de ser humano consigo mesmo e com os outros ao examinar os resultados obtidos por você e por eles.

Seja eternamente apaixonado por si mesmo, obcecado pela vida em plenitude e não abra mão de ser feliz!


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Texto: Psicólogo Luciano Melo

(Clínica Argos Psi).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

LEAHY, Robert L. Técnicas de terapia cognitiva: manual do terapeuta. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

FRAGA, Marta Sofia Ávila. Perfeccionismo, um universo multidimensional : qual o seu impacto na satisfação de vida? Disponível em: http://hdl.handle.net/10451/32618 Acesso em 26 de julho de 2020.

OLIVEIRA, Diana Fernandes; CARMO, Cláudia; CRUZ, José Pestana and BRAS, Marta. Perfeccionismo e representação vinculativa em jovens adultos. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2012, vol.25, n.3, pp.514-522. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-79722012000300011. Acesso em 26 de julho de 2020.

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